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Bomba, BOMBA!! Não caia na conversa do Geraldo!



A partir de hoje, vou divulgar matérias publicadas na década de 90, que demonstram como foi a primeira "reestruturação" do ensino, realizada pelo então governador Mario Covas. Ela provocou uma desestruturação tão devastadora da rede, que a partir do ano seguinte as matrículas precisaram ser feitas através de sorteio. E logo de cara foram fechadas 150 escolas!

Naquela época havia na Capital dois jornais que davam uma boa cobertura dos FATOS educacionais. Coloquei fatos em caixa alta, porque hoje a mídia não investiga nem o mínimo para termos uma visão clara do que se passa dentro das escolas, e muito menos nos bastidores dos órgãos educacionais. Mídia corrupta ou omissa?... 

Os dois jornais que cobriam a educação na época eram o Diário Popular e o Jornal da Tarde, hoje extintos, fato que também leva a uma boa reflexão...

Vou começar essa nova série de posts com uma verdadeira bomba! A matéria acima digitalizada, obviamente não disponível na internet, data de 18 de janeiro de 1998, alguns dias antes do início do terceiro ano letivo após a tal "reestruturação". Os objetivos declarados pela Secretaria da Educação na época foram exatamente os mesmos divulgados hoje: separar os alunos por nível de ensino e melhorar a qualidade educacional!! De lá para cá, a SEE nunca entregou o que prometeu, como vagas para todos, salas-ambiente, laboratórios e bibliotecas, muito menos qualidade do ensino... Até hoje, por exemplo, nem 20% das escolas da rede estadual tem biblioteca funcionando, para não falar dos laboratórios! E todas, praticamente todas, se parecem com verdadeiras prisões...

Quem escreveu essa matéria foi a excelente jornalista Marici Capitelli, que na época trabalhava no Diário Popular. O texto faz um balanço da primeira "reestruturação", iniciada em 1995. Diga-se de passagem - ou não... - que Marici é hoje a chefe de reportagem do Jornal da Cultura.   Diga-se também de passagem - ou não... - que o Jornal da Cultura tem desprezado a ocupação de mais de 200 escolas, por alunos da rede estadual: em lugar de enviar seus repórteres a campo para fazer matérias investigativas - como fazia a própria Marici diariamente no finado Diário Popular - o Jornal da Cultura limita-se a mostrar cenas de estudantes "atrapalhando o trânsito" e dando voz a comentaristas caquéticos como Luiz Felipe Pondé, que na quarta-feira declarou o seguinte: "Esses estudantes estão atrapalhando o trânsito e a economia do país. Os estudantes, coitados, são levados a acreditar que existe uma relevância muito grande do movimento estudantil nos processos políticos, mas na verdade só estão enchendo o saco...". Nada para criticar a repressão policial, totalmente gratuita, pois não houve provocação nem vandalismos! Esse é o nível do Jornal da Cultura, premiado internacionalmente pela sua "qualidade", ao cobrir os "fatos" da educação paulista. Marici, o que está acontecendo, nega? O Geraldo foi tomar cafezinho aí na redação e pediu pra pegar leve? Bom, a coisa deve funcionar de forma mais ágil, tipo por telefone...

Para facilitar sua leitura, digitei essa matéria na íntegra. No mínimo, você vai ler uma reportagem de qualidade muito superior a qualquer outra que tenha sido publicada pela grande mídia por estes dias. Ela vai te mostrar que a história se repete e te alertar sobre o futuro, pois nada mudou na (falta de) política educacional da SEE durante os últimos 20 anos. Vai ser muito ruim se você cair na conversa do Geraldo! Tudo o que ele quer é terminar a obra iniciada em 1995, para finalmente poder entregar o máximo de escolas de Ensino Fundamental para os municípios e privatizar o Ensino Médio. Cuidado! Ele vai vir com a conversa mole de que reviu o projeto e vai usar como bode expiatório o secretário Herman Voorwald, um simples marionete que ele acaba de demitir. Aliás, você já viu a cara desse secretário na mídia, antes do início da ocupação das escolas?...

Vamos lá:

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Diário Popular - 18/01/1998
DADOS APONTAM O CAOS DA EDUCAÇÃO
Marici Capitelli

     Um cenário de 152 escolas fechadas, além de 216 mil alunos do ensino fundamental que abandonaram as aulas, nos últimos três anos. Os dados de evasão são do Censo Escolar do Ministério da Educação e refletem o caos na Educação do Estado, onde 70% dos professores também não são efetivos. A Secretaria Estadual de Educação garante que o ensino tem melhorado e não faltam vagas. O problema, de acordo com o órgão, é dos pais e alunos, que preferem escolas mais conhecidas. O resultado é grande concentração nesses pontos e a necessidade de sorteios dramáticos como os que marcaram a semana.
     A opinião da secretaria contrasta, na prática, com a realidade dos estudantes. Escolas fechadas, prontas sem inaugurar ou em número insuficiente fazem com que os estudantes se desloquem até mais de 10 quilômetros para estudar e dependam de ônibus. Os custos da condução e a perda de tempo fazem com que os alunos já comecem o ano sem a certeza se conseguirão levar o curso adiante.
     INCOERÊNCIA
     Histórias de incoerência não faltam em várias regiões da Capital. O sorteio que aconteceu na EESG Professor José Marques da Cruz, na Vila Formosa, que foi marcado por tumultos e desmaios de pessoas que esperaram mais de 10 horas por uma vaga em uma das 16 escolas, foi desnecessário segundo a comunidade. Dois colégios na região estão fechados por conta da reestruturação e os prédios tomados por matos. São eles a Julein Fawell e José Alves Camargo. O adolescente Rafael, de 14 anos, mora entre essas duas unidades, mas foi sorteado para longe de casa. Terá de depender de ônibus. "O pior é que só consegui vaga no período noturno, das 19 às 23h." "Ele é uma criança para voltar sozinho para casa esse horário. É um desrespeito", disse desesperada a mãe, Janete Capuchinho, de 45 anos. Outro ponto, segundo ela, é que o menino não trabalha e, provavelmente, está tirando a vaga de algum estudante que tem emprego e precisa desse horário. 
     Os irmãos Leonardo Carvalho da Silva, de 12 anos, e Luciana, de 10, avistam da janela do apartamento uma escola na frente deles. É só atravessar a rua. Entretanto, eles vão estudar a pelo menos seis quilômetros da moradia, o que gera um custo de transporte para a família de R$ 90,00, valor pesado para o orçamento. Eles moram no conjunto habitacional da CDHU, Liga das Senhoras Católicas, no Butantã, Zona Oeste. A escola em questão não tem nome, mas está pronta há mais de um ano. A comunidade não tem nenhuma satisfação sobre a inauguração. "Cansei de ir atrás para ter informação dessa escola. O jeito foi matricular as crianças longe. De ônibus não dá para ir porque demora muito ou passa lotado e a pé o caminho é muito perigoso", afirmou a mãe, a escriturária Vera Regina de Oliveira Carvalho.
     Situação complicada é da educadora Maria Madalena Vilela, de 36 anos, que mora ao lado da escola. Ela paga R$ 60,00 de perua para a filha Raíssa, de 7, ir estudar em outro bairro. "Com esse dinheiro, dava para pagar dois condomínios. Vivemos apertado", ressaltou a mãe. Outra dificuldade, de acordo com ela, é para as mães que trabalham fora, como é o seu caso. "É uma preocupação a mais saber que os filhos estão longe", avaliou. As crianças e adolescentes da CDHU acabam indo estudar em bairros como o Jardim São Jorge. "Só que isso tem trazido um problema imenso, porque tem lotado as nossas unidades e tivemos de passar por sorteio também", afirmou o presidente da Sociedade Beneficente do Jardim São Jorge, Claudio Freitas. Segundo ele, em um dos bairros vizinhos, o Cambará, foi fechada a EEPG Elizabeth Rolim. "Chegou-se a cogitar que o prédio da escola fosse utilizado pela Febem, mas o projeto não foi para frente", contou.
     Na Cidade Tiradentes, zona leste, onde moram em torno de 250 mil pessoas, a Associação dos Moradores da Cohab Santa Etelvina (Acetel) fez um levantamento que já aponta mais de três mil crianças e adolescentes sem escolas. "Não tem vaga mesmo por aqui. E os que vão estudar em bairros distantes desistem por causa das condições financeiras", explicou o presidente da entidade, Silvio Amorim.

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Amanhã e nos próximos dias vou divulgar mais matérias dessa época, ou seja, sobre a primeira "reestruturação" realizada na rede estadual de São Paulo, na década de 90. Você vai saber de outras escolas que foram fechadas, conhecer mais alunos que foram prejudicados por essa tremenda desestruturação e entender um pouco sobre o rombo das verbas da educação no estado. Se naquela época houvesse alunos corajosos como esses que hoje estão "atrapalhando o trânsito" das principais ruas e avenidas da Capital e do interior, certamente teríamos uma escola melhor!

Parabéns, alunos da rede estadual de São Paulo, vocês estão virando essa página tenebrosa de descaso, incompetência e autoritarismo! Continuem ocupando suas escolas, até a vitória!!

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