Postagens

Mostrando postagens de Março, 2010

Mais um tribunal ilegal numa escola!

Como costumamos dizer, o papel dos Conselhos de Escola está completamente desvirtuado: em lugar de serem instrumentos democráticos à disposição da comunidade escolar, tornaram-se tribunais ilegais para o julgamento e a expulsão de alunos. A história contada a seguir por uma mãe só teve um final feliz por ela ser... funcionária da educação. Por esse motivo, também, não estamos publicando seu nome. Mas temos certeza de que, se ela fosse uma mãe "comum", a supervisora da escola não teria cancelado a punição injusta do filho. Aliás, dois outros alunos foram expulsos e ninguém se preocupou com isso. O "crime", como de costume, foi o de soltar as famigeradas bombinhas de São João. Antigamente, tratava-se de uma travessura punida de forma pedagógica, mas hoje ela vale uma expulsão, por diretores de escola que conseguem manipular o Conselho e assim eliminar da escola os "elementos" indesejados, incentivando os alunos a dedurar seus colegas.

Essa é a escola que DE…

CQC MATA A COBRA E MOSTRA O PAU!

Você leu aqui na semana passada a nova história que trouxemos sobre Barueri. O que não sabíamos e continuamos sem saber é quem roubou a televisão de plasma. A primeira informação que recebemos foi de que teria sido a diretora da escola, mas na verdade o aparelho foi parar na casa de uma funcionária... Como é possível que uma simples funcionária tenha levado para casa um aparelho doado para a escola? A não ser que essa funcionária tenha recebido a TV de "presente" por ter prestado serviços inconfessáveis, rs...

Este post deveria se chamar MÍDIA NOTA DEZ, em contraposição à série MÍDIA NOTA ZERO, pois toda a história foi engenhosamente arquitetada pela equipe do programa CQC, da TV Band, coordenado pelo genial Marcelo Tas. Parabééééééns, CQC, e muito obrigado pelo serviço prestado!

O amigo Mauro Silva, do Movimento Coep, coletou pacientemente todos os vídeos que mostram o desenrolar da história. Em resumo: O CQC resolveu doar uma TV de plasma para uma escola do município de Baru…

A escola tabu nº 10 - Imagine na pública!

Imagem
Recebemos a seguinte mensagem de uma mãe de aluno da rede privada em Minas Gerais:

Preciso de orientação em uma situação que tenho enfrentado em minha família:
meu filho de 7 anos de idade estava matriculado em uma escola particular na cidade onde moro. Comecei a perceber mudanças no comportamento dele, pois, durante as tarefas, ele sempre repetia: "eu não consigo aprender"; "eu sou burro"; "a professora vai brigar comigo".

Ele também relatou que a professora rasgava as páginas do caderno dele toda vez que ele errava algo. Daí, numerei as páginas do caderno para saber se a informação procedia e, infelizmente, faltavam páginas (ele não tem o hábito de arrancar folhas do caderno). Tentei conversar com a supervisora, mas o que percebi foi o famigerado corporativismo, e ela disse simplesmente que não percebia nada disso e que seria imaginação do meu filho.
Bem, mudei-o de escola nesta última terça-feira (16/03), após 2 meses de convívio com esta "professor…

A escola tabu nº 9 - Só com advogado!

Um professor de uma escola municipal do Rio de Janeiro estava "tapando buraco" de uma aula vaga (substituindo a mulher), quando os alunos começaram um falatório e ele atirou o apagador na cabeça de uma aluna.

Até aí, nada demais, assunto corriqueiro que comprova o fenômeno da aula vaga, que solapa 30% do ano letivo aos alunos e que é "contornado" enfiando nas salas de aula qualquer um que esteja disponível na escola, seja professor de outra disciplina, seja merendeira ou inspetor de alunos, como você leu no post anterior. Outra forma de "contornar" as aulas vagas é passando nas salas de aula fitas de qualquer tipo e origem, mesmo piratas, como por exemplo Tropa de Elite, que foi exibido a rodo para turmas de Ensino Fundamental em 2008 e o caso só veio a público porque uma garota passou mal e alguém chamou a imprensa.

Enfim, é o que chamamos de "faroeste" na educação. O caso acima, do professor que atirou o apagador na cabeça da aluna, também só ve…

A escola tabu nº 8 - Mensagem de uma inspetora de alunos

Imagem
Recebemos a seguinte mensagem de uma inspetora de alunos da rede municipal de São Paulo:
Meu nome é Rosely. Estudo pedagogia e acredito na educação como meio de transformação social... Sou inspetora de alunos de uma escola pública de São Paulo, com profissionais desgastados e indiferentes. A escola é vitima das aulas vagas... fico em média umas cinco aulas por dia nas salas por conta das faltas de professores, junto com outras funcionárias e substitutos.... Todos os dias faltam professores e nós somos jogados na sala de aula (detalhe, nosso cargo exige apenas o fundamental completo!!), sem nenhum preparo pedagógico, sem atividade, apenas para "tapar buraco". Um descaso dos coordenadores e diretores para conosco e com os alunos, apesar deles gostarem bastante de ficar sem aula...
Esse é um grande problema pra mim, que está me atingindo pessoalmente, e estou tentando encontrar soluções...

É revoltante o que se passa na escola... Toda aquela esperança de encontrar um ambiente tota…

A escola tabu nº 7 - Mais uma de Barueri

Imagem
Os municípios mais ricos do Brasil, como Araraquara e Barueri, são os que mais desprezam suas crianças e adolescentes carentes.
Araraquara é o exemplo mais impressionante, com o escândalo do milionário desvio de verbas da educação que resultou no famoso "Podrão", inquérito policial com 20 volumes de notas fiscais frias que se encontra no 2º DP da cidade.
Barueri voltou a chamar a atenção com um caso bem típico e quase nunca denunciado: a diretora de uma escola apropriou-se de uma TV recebida em doação e o programa CQC, da Band, foi proibido por notificação judicial de exibir um quadro em que informava o fato.
Realmente, o que acontece na rede pública de ensino é mesmo tabu! Vamos relembrar também o caso clássico ocorrido em Barueri, quando o próprio Secretário Municipal da Educação reuniu 41 alunos expulsos de uma única escola, os chamou de macacos, bandidos, vagabundos e disse que deveriam ir estudar "nos quintos dos infernos".
Infelizmente os alunos não puderam usar…

Jogo de dados, rsrs

Imagem
Ainda estamos tentando entender os números do Saresp 2009. Qualquer hora baixa o "santo" e passa uma informação correta, rsrs. Bem que um antigo chefe meu dizia que no Brasil não existem dados confiáveis...

Por enquanto, os dados disponíveis são em nível federal:
Analfabetismo: ........10% Meta para 2010: ........4%
Repetência: ...............13% Meta para 2010: ..........10%

A mudança é possível!

Imagem
Seguem trechos de um depoimento da amiga Márcia Fernandes, que estudou no Vocacional Osvaldo Aranha, em São Paulo, antes que a ditadura militar fechasse os colégios Vocacionais, que eram 6, espalhados pelo Estado. Hoje, a EE Osvaldo Aranha é aquela escola estadual onde fomos chamados diversas vezes para garantir a vaga de alunos "indesejados" e afastar uma professora que os xingava a bel prazer...
Pelo relato da Márcia percebe-se que o projeto Vocacional era bastante viável, havia muita disciplina mas o aluno tornava-se o protagonista de sua vida escolar e desde cedo desenvolvia senso crítico e independência. Por isso mesmo os Vocacionais foram fechados pela ditadura militar, preocupada com o possível despertar de lideranças políticas entre os alunos.
Leia com atenção o último trecho, onde Márcia fala que, após a prisão dos professores e demais profissionais da escola, os próprios alunos das classes mais avançadas foram "dando aula" para os demais alunos, a fim de qu…

A democracia como prática pedagógica

Imagem
O marasmo em que se encontra a educação pública brasileira não se justifica.
Assista esse vídeo sobre os Colégios Vocacionais e perceba que já existiu, em São Paulo - Brasil, um projeto educacional que fazia do aluno o centro da escola e levava a VIDA para dentro da sala de aula. Os Vocacionais foram fechados pela ditadura militar em 69, por terem a democracia como prática pedagógica.
Muito emocionante, esse achado da amiga Márcia Fernandes, que teve o privilégio de estudar no Vocacional Osvaldo Aranha. A partir da ditadura, todos os Vocacionais viraram colégios "normais" e hoje estão no mesmo nível de mediocridade das demais escolas públicas. No próprio Osvaldo Aranha, aliás, já fomos chamados diversas vezes para defender alunos contra o autoritarismo da escola...
O vídeo é antigo e bem deteriorado, mas percebe-se claramente a alegria do ambiente e a grande gama de atividades que os alunos tinham à disposição para desenvolver suas habilidades, inteligência e espírito de grupo.…

Belíssimo depoimento!

Imagem
O depoimento a seguir é do amigo João Barbosa, que já trabalhou na Febem feminina e faz um relato lúcido de sua estada na instituição. A Febem, que já foi RPM e hoje é Casa, é nossa velha conhecida: é para lá que costumam se encaminhados os alunos "rebeldes", os excluídos da escola e marginalizados da sociedade.

As datas comemorativas na Febem tinham peso de viaduto. Primeiro de ano, Carnaval, Dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, Natal. Era problema. Uma espécie de descontentamento geral tomava conta. E todo cuidado era pouco. Aquele caldeirão de hormônios e emoções ia lentamente aquecendo e pronto pra a qualquer hora entrar em ebulição. A diretoria inventava alguns artifícios para amenizar essa fogueira, como os amigos secretos entre alunas e funcionários, onde o presente delas era o material produzido nas oficinas educativas e dos funcionários presentes comprados. Isso dava algum equilíbrio.
Mas a Febem é feita para não dar certo. E nisso os governadores e secretár…

Mais uma de Minas Gerais!

Imagem
Há quatro anos acompanhamos a saga da família mineira que percebeu a falência da escola e optou por educar seus filhos em casa. Em mais uma instância do processo, a família foi condenada. Mas a história ainda não acabou. Vamos ver até aonde vai a arrogância de um Estado que não oferece educação de qualidade para suas crianças e adolescentes e ainda pune os pais que têm condições de suprir suas deficiências.

Leia aqui
Não faltam especialistas que discordam da educação dada em casa. Falta perguntar para esses especialistas se seus próprios filhos estudam na rede pública de ensino...

Tudo, na escola, é pedagógico... ou não.

Imagem
Recebemos a mensagem de mais uma aluna sobre a questão do uniforme, de longe o assunto mais "importante" numa escola falida. Escolhemos esta mensagem para publicação, porque mostra claramente a boa educação da aluna e, na outra ponta, o autoritarismo e a hipocrisia da escola. Quando se fala que a obrigação de educar cabe à família, não se leva em conta que TUDO, NA ESCOLA, É PEDAGÓGICO, ou não...
A aluna é inteligente e soube pesquisar no blog: encontrou a Lei 3.913 e questionou o uso obrígatório do uniforme. A lei não se aplica ao Estado de Minas Gerais, mas ela pode se consolar: aqui também não é respeitada, rsrsrs. (Rindo para não chorar, em um país onde as leis não passam de papel de embrulho)
Essa aluna vai precisar tomar muito cuidado, pois poderá vir a ser fortemente perseguida pela direção da escola. Aluno inteligente e questionador corre o sério risco de ser expulso da escola. Isto é Brasil!
Sou estudante do ensino médio de uma escola Estadual de Minas Gerais.
Hoje ao …

Tortura nunca mais?

Imagem
por Cremilda Estella Teixeira
Alunos de seis anos devem ser matriculados na primeira série. Aumentou um ano do sofrimento. Escolas colocam crianças de seis anos em carteiras de adultos… carteira dura e alta, por até cinco horas. O processo de ensino e a alegria de aprender – tão presente nessa idade – é um sofrimento covarde imposto a crianças pobres. Para alcançar o caderno elas têm que mal escorar as costas nas mochilas, que improvisam um encosto. Os pés ficam dependurados ou cruzados no pequeno espaço duro do assento das carteiras.
Uma professora conta para o Jornal a Folha de São Paulo que essas crianças coçam o olho, que ficam vermelhos de cansaço… e outras dormem exaustas da posição desconfortável, obrigadas a ficar por horas a fio. Nem precisa ser especialista para saber que nessa idade a criança é agitada e precisa aprender com trabalhos lúdicos; e mesmo assim em posição confortável. Que a atenção em um ponto só é conseguida até dez minutos… depois ela dispersa, descansa e pode …